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RELATOS

7 de Setembro de 1971 - Eram 10 horas da noite e estava eu na messe de sargentos com a malta quando ouvimos 3 tiros. Passados segundos, mais 3 tiros e, 3 ou 4 minutos depois, apagaram-se as luzes em todo o aquartelamento. Entretanto, a metralhadora de um dos postos de vigilância também abriu fogo e, a partir daí, foi um pandemónio.
Os TEs - que estavam quase todos bêbados - deitaram-se em linha em frente da caserna deles e despejaram os carregadores para o arame farpado. Uma parte do pessoal, que entretanto se tinha metido nas trincheiras, pensando que o quartel estava a ser atacado, abriu também fogo. Entretanto o meu grupo foi destacado para sair para o exterior do quartel e ver o que se passava lá fora, mas ninguém se lembrou de avisar os sentinelas, de modo que estes, vendo sombras do lado de fora do arame farpado, abriram fogo sobre nós. Por sorte ninguém foi atingido. Logo que o fogo terminou no quartel, descemos até ao motor da água, junto do rio. Ficámos lá cerca de 1 hora emboscados mas não vimos ou ouvimos nada de especial. No dia seguinte de manhã, uma volta pelo exterior do quartel confirmou que eles tinham andado por ali, bem perto do arame farpado. Os javalis, claro.
(in "Diário de um Furriel - 1971-1973")

PARA QUE A MEMÓRIA NÃO NOS ATRAIÇOE